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Projeto da Escola utiliza sistema eletrônico para monitorar hábitos do gado de leite

12 de março de 2015

        Um novo projeto da Escola de Veterinária da UFMG promete melhorar a maneira como se avalia a eficiência alimentar e o comportamento de bovinos leiteiros. “Trata-se de um sistema de automação que monitora os hábitos, o consumo de alimento e água pelos animais e o peso corporal do gado de leite”, explica a professora Sandra Gesteira Coelho, do Departamento de Zootecnia, uma das coordenadoras do projeto. Além dela estão envolvidos mais 6 alunos e os professores Ângela Maria Quintão Lana, Antônio Último de Carvalho e Elias Jorge Facury Filho.

        O projeto está sendo realizado em parceria com a empresa nacional Intergado, com a Embrapa Gado de Leite, com a coloaboração da Dra. Fernanda Samarine, e com a Fazenda Santa Maria do Brejo Alegre. A parceria surgiu através do ex-aluno da escola, Dr. Marcelo Ribas, funcionário da Intergado, fabricante do aparelho. Ele foi o responsável por apresentar o sistema a alguns professores das áreas de Zootecnia e de Clínica de Ruminantes em janeiro deste ano. O programa permite acessar os dados praticamente em tempo real e em qualquer lugar, via computador ou celular. Instituições de pesquisa e fazendas comerciais no Canadá, Estados Unidos e Europa já vêm utilizando este tipo de sistema e recentemente essa tecnologia foi instalada em uma fazenda em Uberaba, porém, implantada para o gado de corte.

        O experimento está sendo realizado na Fazenda Santa Maria do Brejo Alegre, em Itaúna-MG, cujo proprietário Pedro Nunes já havia cedido o local para outros projetos da Escola. Inicialmente, estão sendo utilizados 12 cochos e 2 bebedouros que monitoram 12 bezerras mestiças Holandês-Gir, entre 100 e 140 dias de idade.

        Neste sistema, todos os animais recebem um transponder, um tipo de brinco, que possibilita a identificação eletrônica pelos equipamentos. Os cochos e bebedouros estão sobre células de carga, que pesam constantemente os alimentos e a água. “Desta forma, quando o animal acessa o cocho, o sistema imediatamente registra seu número de identificação e o horário de chegada, de saída e o consumo deste animal”, esclarece Sandra.

        O aparelho registra o horário em que o alimento foi oferecido, a quantidade, o consumo diário, o tempo de permanência em frente ao cocho sem que ocorresse alimentação, o intervalo entre as alimentações, os horários preferenciais de consumo, quantas vezes o animal visitou o cocho e o bebedouro durante o dia, a duração destas visitas, e a pesagem corporal.

        No início de setembro, a pesquisa entrou em fase de validação. “Durante 5 dias o programa teve sua eficiência testada por meio da comparação entre os dados gerados pelo sistema eletrônico e imagens registradas por câmeras instaladas em frente aos cochos e neste período específico serão avaliados 40 animais. Espera-se que o percentual de acerto seja acima de 95%”, conta a professora.


        Avanços

        Com o equipamento validado, outras etapas serão iniciadas. Será avaliado, por exemplo, o uso deste sistema para monitoramento da saúde dos animais, por meio da observação de variações nas taxas de consumo e comportamento, diagnosticando precocemente o surgimento de doenças. A professora demonstrou estar satisfeita com o andamento do projeto. “Sem dúvida é um sistema que gera informações muito precisas e que vão possibilitar avanços nas áreas de nutrição, produção, genética e saúde animal”, acredita.“Em um futuro muito próximo poderemos fazer a seleção de bovinos para eficiência alimentar, produzindo mais alimentos a um menor custo financeiro e ambiental. Também será possível compreender melhor o comportamento dos animais e, assim, criar condições para garantir seu conforto e bem-estar”, afirma Sandra.